O ano começou: e agora, o que você faz com as suas resoluções?
27/01/2026 às 20h30
Dra. Anelise Meurer Renner
– Psicóloga (CRP 07/23515)
Janeiro está se aproximando da sua reta final e esse primeiro mês do ano costuma vir acompanhado das famosas resoluções de Ano Novo, recheadas de promessas e desejos. É um momento importante para colocarmos nossa vida em perspectiva e refletirmos sobre o que queremos mudar para nos aproximarmos, pouco a pouco, de uma vida que faça sentido e seja mais plena. No entanto, muitas vezes essas resoluções acabam sendo lembradas apenas no final do ano seguinte, quando surgem as piadas e os memes da internet sobre ‘entrar em 2026 com as metas de 2016’. Aproveitando que ainda estamos em janeiro, que tal pensarmos em como não repetir esse padrão por mais dez anos?
Um primeiro passo é definir metas realistas. Não adianta estabelecer objetivos completamente desconectados da nossa realidade atual, como conquistar o primeiro bilhão de reais na conta sem ter um trabalho que permita isso ou sem sequer apostar na Mega da Virada. Metas precisam ser possíveis, alcançáveis e compatíveis com o momento de vida em que estamos.
Essas metas devem ser claras e objetivas. Se o objetivo é emagrecer, por exemplo, como exatamente pretendo me aproximar disso? Vou iniciar acompanhamento com uma nutricionista? Fazer caminhadas três vezes por semana ao final do dia, acompanhado de um amigo? Quando conseguimos definir ações concretas, também conseguimos avaliar se estamos, de fato, caminhando em direção ao que desejamos.
Ainda no exemplo do emagrecimento, talvez seja desafiador demais tentar mudar toda a alimentação e iniciar um exercício físico ao mesmo tempo, enquanto seguimos dando conta das demais demandas da vida: trabalho, casa, família, lazer e amizades. Muitas vezes precisamos elencar prioridades: podemos começar pelo que parece mais fácil no momento, focar nesse hábito por alguns meses e, só depois que ele estiver mais consolidado, avançar para o próximo passo.
E no decorrer desse processo, também é essencial fazer uma revisão constante das metas. Onde elas estão anotadas? Em que momento do ano voltamos a olhar para elas? Ter fácil acesso aos nossos objetivos ajuda a não deixá-los esquecidos até dezembro. Nessas revisões, vale reconhecer os avanços, mesmo que ainda não estejam perfeitos. E, caso algo não esteja funcionando, evitar uma postura crítica ou punitiva. Em vez disso, é mais produtivo se perguntar: por que isso não está dando certo? O que posso ajustar? Se o plano era se exercitar no final do dia, mas o cansaço após o trabalho sempre vence, talvez seja necessário mudar o horário, fazer pela manhã ou direto após o expediente, sem passar em casa. Ou ainda trocar a caminhada por outra atividade que gere mais prazer, como jogar vôlei ou futebol com amigos.
Podemos começar esse processo revisando as metas de 2025: quais deram certo, quais ficaram pelo caminho e os motivos de cada uma dessas situações. Essas metas ainda fazem sentido para mim? O que eu poderia ter feito diferente? A partir dessa reflexão, fica mais fácil olhar para os objetivos de 2026 com mais clareza e intenção e chegar ao fim do ano um pouco mais próximo da vida que gostaríamos de ter.
Vale lembrar que mudar hábitos é um processo, e não um evento pontual que acontece na virada do ano. Muitas vezes, a expectativa de transformação rápida gera frustração e desistência. A vida acontece no meio do caminho: imprevistos surgem, o cansaço aparece e nem sempre conseguimos manter o ritmo ideal. Isso não significa fracasso, mas sim a necessidade de ajustar expectativas e respeitar o próprio tempo. Mudanças sustentáveis costumam ser construídas aos poucos, com flexibilidade, paciência e um olhar mais gentil para si mesmo.