MetSul: novo ciclone no RS preocupa, sobretudo, em função da força do vento

12/07/2023 às 09:31 - Salvador do Sul

MetSul: novo ciclone no RS preocupa, sobretudo, em função da força do vento
MetSul: novo ciclone no RS preocupa, sobretudo, em função da força do vento

Após estragos e mortes deixados por um fenômeno do tipo em junho, um novo ciclone vai atingir o Rio Grande do Sul nesta semana. A meteorologista Estael Sias alerta para as principais características do episódio e o quanto ele pode se assemelhar ao anterior. O cenário deve se agravar nesta quarta-feira.

Confira a análise da profissional:

Vai ser pior que em junho? Quarta e quinta podem ser enquadrados no topo da escala de risco por fenômenos meteorológicos severos. Os gaúchos e catarinenses não só vão enfrentar chuva em excesso, com algumas cidades superando a média histórica de precipitação do mês inteiro, como enfrentarão vento muito forte a intenso com potencial de danos e um grande impacto no sistema elétrico.

Aí surge a pergunta: vai ser pior que o ciclone de junho? De acordo com a avaliação da MetSul Meteorologia, baseada nos melhores modelos computacionais do mundo de previsão do tempo para o Sul do Brasil, considerando as duas principais variáveis que são chuva e vento, a resposta é sim e não.

Vamos entender? A começar pela chuva. Três critérios objetivos devem ser levados em conta na comparação com o ciclone de junho ao se projetar chuva: abrangência, volumes e condição precedente.

A chuva com altos volumes se concentrou em junho mais entre os vales, a Grande Porto Alegre e o litoral Norte. Desta vez, maior número de municípios vai ter chuva com altos acumulados, especialmente na metade Norte, no Centro e parte do Leste do estado, ou seja, pior que no ciclone de junho em abrangência.

E o vento? Aí está a principal diferença para junho. Em abrangência e intensidade. No ciclone dos dias 15 e 16 do mês passado, a ventania forte concentrou-se no Nordeste gaúcho com rajada máxima medida em estação meteorológica de 102 km/h na costa, em Tramandaí, e de 77 km/h em Porto Alegre, em Belém Novo.

O campo de vento forte do ciclone que vem aí entre quarta e quinta vai ser muitíssimo maior - a ponto de se esperar ventania até em São Paulo e Rio de Janeiro. Praticamente todo o Rio Grande do Sul vai ter vento moderado a forte com rajadas de 50 km/h a 80 km/h na grande maioria dos municípios. A ventania sobre o Atlântico vai ser tão forte e em uma área tão extensa que vai gerar uma forte ressaca do mar entre os litorais do Sul e do Sudeste do país.

Diferentemente de junho, em que o ciclone atuou sobre o mar rente à costa do litoral Norte, agora a ciclogênese (formação do ciclone) vai se dar sobre o continente e exatamente sobre o Rio Grande do Sul com uma baixa pressão que vai se aprofundar muito sobre o estado nesta quarta, o que é menos comum.

Não apenas o vento forte deve atingir maior número de locais como deve ser mais intenso, superando as marcas máximas de rajadas registradas no mês passado na maior parte das cidades. O vento já aumenta na quarta, sobretudo no fim do dia, mas o pior do vento é esperado na quinta - quando o ciclone estiver na costa e ganhando força.

Embora haja ainda muitas discrepâncias entre os modelos e incertezas quanto à posição do ciclone - o que se reflete na previsão de vento - as melhores estimativas sugerem hoje rajadas de 60 km/h a 80 km/h, isoladamente superiores, em grande número de municípios gaúchos desde a madrugada e que tendem a se intensificar até de manhã de quinta.

No pico, as marcas de vento podem atingir de 70 km/h a 90 km/h na área de Porto Alegre e valores perto e acima de 100 km/h em pontos da orla, especialmente no litoral Norte. Sublinha-se que terreno (topografia) interfere e há alto risco de vento mais forte que o indicado em alguns locais. Igualmente, o Leste catarinense, em especial a costa e o Planalto Sul, deve ser afetado por ventania intensa com mais de 100 km/h em diferentes pontos.

 

Metsul